Verdade ou mito? O que o campo sintético altera na final da Copa do Brasil
11/09/2019 04:00 Fonte UOL

Internacional e Athletico-PR abrem a final da Copa do Brasil hoje (11), às 21h30 (de Brasília), na Arena da Baixada. Em foco, além dos times, estará novamente o campo sintético do estádio rubro-negro. Afinal, o piso artificial altera algo na partida? A influência dele é um mito? Antes do jogo, as opiniões se dividem a respeito. Vejamos:

Para a empresa parceira do Athletico Paranaense e responsável pelo gramado da Arena, o desempenho do gramado sintético é exatamente o mesmo do natural. O que há é um paradigma que precisa ser quebrado, um condicionamento a encontrar diferenças.

CEO da GV Group, parceira do clube paranaense, Rogério Garcia explicou o processo de aprovação da Fifa para o campo de jogo. A entidade estabeleceu uma série de especificações em um campo que considerava "ótimo" de grama natural, na Holanda. A partir dos números obtidos por lá, foram criados parâmetros para serem atendidos pelos gramados sintéticos, como quique da bola, impacto, velocidade e temperatura. Atendendo a estes indicadores, ou seja, recriando o rendimento de um gramado natural nas condições consideradas ideias, os sintéticos recebem certificação da Fifa. A Arena da Baixada possui a mais alta possível.

"Temos que quebrar este paradigma que não é verdadeiro. Uma vez que o gramado recebe esta graduação, ele se comporta como gramado natural. O desempenho dele é, sim, o mesmo. O rolamento da bola, o quique da bola, o impacto para os jogadores, é o mesmo da grama natural. A permeabilidade, uma série de indicadores mostram que ele desempenha da mesma forma de um campo ótimo de grama natural. O que acontece é que quando se molha o gramado, a bola pega mais velocidade, desliza mais, tanto num campo de grama natural quanto sintético. Efetivamente o desempenho é exatamente o mesmo", disse. "A quantidade de água que se utiliza para molhar o campo, é opção do clube. Mas no campo sintético ou no natural, quanto mais água, mais rápido fica o jogo", completou.

Porém, uma diferença pode alternar um pouco a dinâmica da partida na comparação com campos naturais. A Fifa exige que o piso do gramado sintético seja totalmente plano. As inspeções são feitas periodicamente e são utilizadas réguas de três metros de cumprimento para garantir que não tenha mais de três milímetros de oscilação. Ou seja, não há buracos ou imperfeições, o que pode acelerar o jogo.

"O campo, por exigência da Fifa, precisa ser muito regular. Por definição é uma "mesa de bilhar". Plano, parelho, a bola anda bem, rola. Num gramado natural, a temporada pode começar com ele perfeito, mas ao longo do tempo vai se danificando. Buracos, chuvas, essas coisas. Durante a mesma partida, ele pode começar perfeito e criar imperfeições com um carrinho, algo assim. Isso, às vezes, faz com que se erre um passe, um domínio, isso tira a velocidade do jogo porque se a bola quica numa irregularidade, o jogador demora mais a dominar. E isso muda a dinâmica do jogo", completou.

Ainda assim, na avaliação dele, o gramado sintético é utilizado como "muleta" quando os times não conseguem os resultados. As diferenças, normalmente elencadas por jogadores de times visitantes, seriam mais subjetivas do que reais, no entender do CEO.

"Muitas vezes serve como muleta. Quando o time não vai bem, o campo sintético é lembrado. Eu diria, ainda, que é mais psicológico do que técnico. É um paradigma, temos que quebrar. Porque há um indicador técnico, um número que mostra que não tem diferença. Mas na cabeça do jogador é difícil aceitar isso. Como se cria toda essa questão de ser diferente, mais rápido, ele entra e acha que é. O jogador fica condicionado e encontra este efeito. O Inter, com treino lá, já vai perceber que é igual, e a muleta se vai", afirmou. "Essa imagem foi criada por causa dos primeiros campos sintéticos, que não eram bons. Mas o tempo vai acabar com isso", completou.

Rogério ainda explicou a razão pela qual o gramado da Arena da Baixada às vezes parece "com lama" e suja tanto o uniforme dos jogadores. Isso ocorre por causa do material que precisa ser irrigado para absorção de umidade e que garante a redução de impacto no campo.

"O campo do Athletico possui um enchimento de fios que simula o campo de grama natural. Ele é à base de fibra de coco. São materiais derivados do coco e suas variantes, que absorvem umidade. O grão de fibra de coco absorve até nove vezes o seu volume em água. É como se fosse uma esponja, quando se molha ela incha, isso cria volume, um colchão para absorver o impacto e torna o pisar mais parecido com o piso de grama natural. A cor dele é castanha, e, quando se faz manutenção, ele sobe e parece embarrado. Ele ainda ajuda a baixar a temperatura do campo, um dos problemas que havia nos campos sintéticos mais antigos. É outra especificação que o campo do Athletico tem. Ele está no topo", disse.

O Internacional, por outro lado, pregou muito cuidado durante a semana. Sempre que o gramado sintético esteve em pauta, palavras como "diferente" e "adaptação" estiveram presentes. Tanto que o Colorado entrou em acordo com o Athletico para treinar na Arena na véspera da partida.

"A gente pensou em treinar aqui no Zequinha (estádio Passo D'Areia, do São José-RS), mas não é o mesmo gramado. É diferente. E aí a gente solicitou lá, conseguimos. Eles vão treinar aqui quando formos jogar no Beira-Rio. Vai nos ajudar, nos dar um pouco de adaptação ao gramado, ao estádio, que é diferente", disse o vice de futebol Roberto Melo. "Claro que o Athletico joga lá, não sei se treina muitas vezes, mas vamos tentar nos adaptar ao passe, ao domínio. Não dá para fazer muita coisa na véspera do jogo, mas é importante sentir o ambiente", disse o técnico Odair Hellmann.

"É um pouco diferente. Sabemos que o time deles conhece o gramado. Jogamos aqui neste ano, os jogadores conheceram o quique da bola. Eu treinei muito porque a bola pega no gramado e ganha velocidade. Mas estamos focados em jogar futebol. Será um confronto de 11 contra 11 e isso que vai prevalecer. Saímos da questão do gramado para focar na estratégia", acrescentou o goleiro Marcelo Lomba.

A reportagem do ntrou contato com o Athletico Paranaense, através da assessoria de imprensa do clube, que optou por não se manifestar na matéria.

Segundo apurou o , o Athletico não costuma realizar muitos treinamentos na Arena da Baixada e trabalha normalmente em campos de grama natural, em seu CT. Há um campo sintético em tamanho reduzido utilizado para atividades específicas.

11/09/2019 (quarta-feira), às 21h30 (Brasília): Arena da Baixada, em Curitiba (PR): Raphael Claus (SP): Rodrigo Figueiredo Corrêa (RJ) e Neuza Inês Back (SP): Rodrigo Guarizo Ferreira do Amaral (SP): Santos; Khellven (Jonathan), Robson Bambu, Léo Pereira e Márcio Azevedo; Wellington, Bruno Guimarães e Léo Cittadini (Marcelo Cirino); Nikão, Rony e Marco Ruben: Tiago Nunes: Marcelo Lomba; Bruno, Rodrigo Moledo, Victor Cuesta e Uendel; Rodrigo Lindoso, Edenílson, Patrick, D'Alessandro e Nico López; Paolo Guerrero.: Odair Hellmann

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